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Tudo por você
Por: Renato  Cardoso

A cidade de Belo Jardim foi palco de uma grande história de amor vivida entre Olga e eu. Tudo começou quando cheguei a esta cidadezinha. Belo Jardim é uma cidade muito pequena que fica no interior de Minas Gerais. A cidade sobrevive basicamente das grandes fazendas que ali existem.
E foi justamente para uma dessas fazendas que eu fui. Meu nome é Otávio, sou batalhador, persistente, um pouco bronco, pois não estudei.
Eu trabalhava em uma outra fazenda que ficava em uma cidade vizinha a Belo Jardim, mas o coronel dessa fazenda onde eu trabalhava morreu e demitiram todos os seus funcionários. Eu trabalhava lá como capataz, tomava conta do gado e dava as ordens aos demais funcionários.
Ao ficar sem emprego resolvi tentar minha vida em Belo Jardim. Chegando à cidade fiquei sabendo que a fazenda Santa Bárbara estava precisando de um capataz.
Então, fui até a Fazenda Santa Bárbara e chegando lá me deparei com o Coronel Frederico, de quem tanto falavam na cidade. Ele era uma pessoa arrogante, preconceituosa e que tratava seus empregados como se fossem seus escravos.
Um funcionário da fazenda me levou até o coronel.
-Boa tarde Coronel! Eu trouxe esse rapaz aqui para falar com o senhor. Ele quer a vaga de capataz.
-Qual o seu nome rapaz?
-Otávio.
-Você já trabalhou nisso?
-Já sim senhor.
-Vou te dar uma chance. Hoje você vai me provar se realmente é bom pra essa vaga.
Ao sair do escritório do Coronel Frederico, eu vi a bela Olga descendo as escadas da mansão. Ela tinha somente 18 anos, linda, carinha de anjo, meiga. Nos olhamos por alguns segundos, mas ali pude perceber que algo no meu coração mudou, mas ao mesmo tempo sabia que não era possível, pois ela era filha do Coronel.
Comecei a trabalhar na fazenda. O Coronel possuía muitas cabeças de gado e muitos funcionários, trabalho era o que não faltava. Eu fiquei com o emprego definitivo.
Dias depois, eu vi um carro muito grande, igual ao da televisão, entrando na fazenda. Eu fui ver quem era. Mandei o carro parar.
-Quem é você?
A porta do carro se abriu e de lá saiu um rapaz bem vestido, mas pude perceber que era também arrogante, pois me olhava de cima pra baixo.
-Eu sou o Artur, namorado da Olga. Vai chamá-la pra mim.
Quando ele falou a palavra namorado minha cabeça ficou atordoada, pois percebi que o que era impossível se tornara mais impossível ainda.
Eu saí de perto dele, e fui até ao rio pra pensar em tudo. Eu nunca havia sentido aquele aperto no coração. Não sabia o que era, pois como poderia está apaixonado por uma menina que só vi uma vez? Como isso aconteceu?
Eu não tinha as respostas que procurava e pra piorar tudo eu vi, de longe, os dois galopando juntos e felizes. Pensei em ir embora da fazenda.
Só que o inesperado aconteceu, o cavalo da Olga se assustou e saiu em disparada. Eu só tive uma reação: a de pegar meu cavalo e ir salva-la, e foi o que aconteceu.
Eu fui atrás dela e consegui pega-la antes que caísse. Ela me agradeceu e perguntou o meu nome.
-Qual o seu nome?
-Otávio. A senhorita está bem?
-Sim, muito obrigada por me ajudar.
O Artur chegou minutos depois e disse:
-Tudo bem com você Olga?
-Sim, o Otávio me salvou.
-Eu vi. Agora vamos embora. Ele não fez mais que a obrigação dele.
-Não fale assim Artur! Me desculpe Otávio.
Ela se foi com o Artur. Eu fiquei ali parado, pensando que mesmo por alguns minutos eu a tive em meus braços, a olhei nos olhos. Suas palavras me soaram como melodias.
Olga chegando em sua casa foi falar para o pai, Coronel Frederico, o que havia acontecido.
-Pai, eu quase caí do cavalo hoje, só que o Otávio, seu capataz, me salvou.
-Você tem que tomar cuidado Olga.
-O Artur o tratou mal, falou que era obrigação do Otávio me salvar.
-O Artur está certo. Não o valorize demais, ele é somente um empregado.
Olga ficou com raiva do descaso do seu pai e do seu namorado. Porém sua mãe, Dona Regina; uma senhora doce, tranqüila, a quem Olga puxou todas as suas características; mandou me chamar na mansão.
-Com licença, a senhora mandou me chamar?
-Sim, entre meu rapaz. Queria te agradecer por ter salvado a minha filha.
-Não precisa agradecer senhora, fiz o que deveria ser feito.
-Mesmo assim muito obrigada.
Olga estava me observando, escondida atrás da porta. Eu saí da casa e voltei a trabalhar. O que eu sentia por Olga estava aumentando a cada dia.
Olga também começou a me ver com outros olhos. Seria o amor despertando em Olga? Estava parecendo que sim, pois minutos depois de eu ter saído da mansão ela veio falar comigo.
-Oi Otávio!
Eu não acreditei quando ouvi aquela voz suave batendo em meus ouvidos, fiquei paralisado, nervoso.
-Oi senhorita Olga. Você está melhor?
-Não precisa me chamar de senhorita, pode me chamar só de Olga. Eu estou bem sim. Eu vim te agradecer por tudo e me desculpar pelo Artur.
-Que isso Olga, não precisa.
Ela segurou em minhas mãos e olhou profundamente em meus olhos e disse:
-Obrigada!
Eu fiquei hipnotizado, não sabia o que falar, somente queria que aquele momento durasse para a eternidade.
Ela depois de me agradecer foi embora. Eu fiquei ali só pensando nela e em tudo que acabara de viver naquele momento. Naquele dia nem consegui trabalhar direito, fiquei o dia todo pensando na sensação que foi ter suas mãos em minhas mãos.
Dias se passaram, Olga voltou a me procurar. Dessa vez ela queria que eu a ajudasse a andar de cavalo e, por incrível que pareça, ela queria subir numa árvore. Eu peguei dois cavalos, um pra ela e outro pra mim, e levei-a até ao rio, local muito bonito e que tem muitas árvores.
Aquele dia era o dia mais feliz da minha vida, pois estava ao lado da mulher da minha vida. Eu comecei ensiná-la a subir em árvore, só que quando ela começou a subir, ela escorregou e caiu em meus braços.
Ficamos nos olhando e parecia que o destino estava conspirando ao nosso favor. Acabamos nos beijando e ali pude perceber que meu amor era recíproco. E então decidi lutar por este amor.
-Olga, desde primeira vez que a vi sabia que você era a mulher da minha vida.
-Otávio, eu também senti a mesma coisa por você. Mas nós vamos ter que lutar muito, pois meu pai não vai aceitar nosso namoro. Como você sabe, eu fui prometida em casamento pro Artur, filho do Drº Antônio que é muito amigo do meu pai.
-Eu lutarei até o fim, podes crer.
Ficamos ali a tarde toda e ao entardecer eu a levei para casa. Ela me prometeu que nos veríamos escondidos no mesmo lugar e quando desse pra ela sair de casa ela mandava me avisar.
Artur estava desconfiado de algo, pois Olga andava muito mudada. Então, ele resolveu segui-la. Ela estava indo ao meu encontro, e ele nos viu nos beijando. A raiva tomou conta do Artur. Ele voltou para a mansão e resolveu conversar com o Coronel Frederico.
-Coronel, eu preciso falar com o senhor.
-Fale meu filho.
-Acabei de ver sua filha beijando o seu capataz. Quero que o senhor faça algo. Isso não pode ficar assim.
-Ele vai me pagar e muito caro, pode deixar.
O Coronel Frederico mandou chamar alguns de seus jagunços e deu a ordem para que eles me pegassem.
Logo após deixar Olga em casa, os jagunços me capturaram e me levaram para um galpão abandonado que tinha na fazenda. Minutos depois, o Coronel e o Artur chegaram.
-Quem mandou você se engraçar com a minha filha? Agora você vai aprender a nunca mais encostar nela.
Os jagunços me bateram até eu perder minhas forças e deixaram bem claro que o Coronel não queria me ver mais lá na fazenda. Depois de tudo, eles me jogaram na estrada que dava pra fazenda. Um senhor passando por lá, com a sua carroça, me viu no chão e me ajudou. Ele me levou pra casa dele e tratou de mim até que eu ficasse bom novamente.
Dias depois, eu já estava melhor, agradeci ao senhor que tratou de mim e fui tentar ver Olga novamente. Mandei um moleque, que estava na fazenda, levar um recado a Olga.
-Moleque leve isso aqui até o casarão e entregue na mão da senhorita Olga.
O moleque levou e entregou nas mãos dela. Ela leu. Eu estava marcando um encontro em um local perto da saída da fazenda. Finalmente Olga chegou ao meu encontro.
-Oi meu amor, eu não desapareci, foi seu pai que mandou me bater e eu estava muito mal. Agora eu voltei e tenho uma proposta pra te fazer. Você quer fugir comigo?
-Sim! Não estava mais agüentando sua ausência.
-Então, hoje de noite eu passarei lá pra te pegar, fique pronta.
Anoiteceu e eu estava decidido. Fui à casa de Olga. Ela já estava me esperando. Joguei uma pedra na janela dela. Ela abriu a janela e arrumou um jeito de descer da altura de uns cinco metros. Porém um erro foi cometido, nós fizemos barulho. Um dos jagunços que havia me surrado nos viu e correu pra avisar ao Artur.
Artur foi de encontro à gente e antes que nós saíssemos da fazenda ele sacou uma arma e deu dois tiros em minha direção. Ele conseguiu me acertar. Eu caí no chão, ele pegou Olga e voltou pra mansão. Eu fiquei ali no chão e, sem saber quem foi me levaram para o hospital.
Eu estava entre a vida e a morte. A única coisa que passava em minha cabeça era a Olga e o amor que eu sentia por ela.
Ela foi aprisionada em sua própria casa pelo Coronel Frederico. Porém, ela ficou sabendo que eu estava no hospital entre a vida e a morte.
Sua mãe, Dona Regina, vendo a tristeza de sua filha, resolveu ajuda-la.
Ela inventou uma desculpa para o Coronel e para o Artur.
-Frederico, eu vou levar Olga na cidade para terminar de comprar o enxoval de casamento.
Chegando ao hospital, Olga foi logo me procurando. Ela me viu deitado numa cama em coma, pois havia perdido muito sangue. Ela se debruçou e começou a chorar.
Eu sentia seu desespero e então comecei a lutar pela minha vida, pois não queria deixá-la. Eu apertei levemente a sua mão. Ela percebeu que eu estava ali, lutando pra ficar com ela. Então ela falou baixinho em meu ouvido:
-Estarei te esperando meu amor.
Aquilo foi o que eu precisava escutar pra continuar minha recuperação.
Alguns dias depois, eu estava recuperado. Eu fiquei sabendo, ainda no hospital, sobre o grande casamento que iria ocorrer na cidade. O casamento era o de Olga com Artur. Sabia que ela estava sendo forçada a isso. Então, resolvi fugir do hospital, pois precisava me encontrar com ela.
Cheguei à fazenda e vi que não teria como falar com ela e logo me veio uma idéia em mente. Chamei o senhor que levaria a Olga à Igreja e, por força do acaso, o amarrei numa árvore. Troquei de roupa com ele e então fui pro carro.
Minutos depois, Olga estava saindo de casa. Ela estava linda, estava vestida de noiva. Meu coração disparou e me mostrou que eu estava certo. Quando ela entrou no carro, eu não falei nada, simplesmente fui dirigindo o carro até sair da fazenda.
Quando saímos dos domínios da fazenda, eu virei para trás e falei com ela. Ela começou a chorar, pois estava emocionada ao me ver curado. Então resolvemos fugir novamente. Dessa vez deu certo.
Enquanto isso na igreja, os convidados, familiares e o noivo de Olga estavam a sua espera. Duas horas se passaram e nada de Olga chegar. Artur sentiu que tinha algo estranho e resolveu cancelar o casamento e ir a procura de Olga.
No dia seguinte de manhã encontraram o senhor que levaria Olga a igreja. Ele ainda estava amarrado na árvore.
Agora até a polícia estava atrás da gente. Nós estávamos num casebre abandonado bem longe da fazenda.
-Meu amor, eu sei que você não está acostumada a esta vida, mas é só até isso tudo passar.
-Otávio, o que me importa é estar ao seu lado, não importa aonde.
Meses se passaram, o Coronel Frederico adoeceu de desgosto por ver que sua única filha fugiu com o capataz de sua fazenda. A notícia da doença do Coronel Frederico se espalhou pela cidade e logo chegou aos ouvidos de Olga.
Olga ficou pensativa e resolveu tomar uma atitude sem me consultar. No meio da noite, ela resolveu fugir e voltar para fazenda para ver como estava seu pai. Ela me deixou um bilhete que dizia mais ou menos assim:

“Meu amor,
Eu soube que meu pai está muito doente e creio que deva ser por minha causa. Então resolvi voltar pra fazenda. Não me odeie. Esses dias que vivi ao seu lado foram os melhores de minha vida. Mesmo que a gente não se veja novamente quero que saiba que você será meu eterno amor e que te levarei sempre comigo.

Adeus!
Da sua e sempre sua,
Olga”

Eu não conseguia sentir ódio dela. Respeitei a sua atitude e resolvi seguir minha vida e nunca mais me apaixonar novamente, pois amor só existe um na vida e o meu era ela.
Olga chegou na fazenda e logo foi correndo ver seu pai. Ele estava deitado na cama, parecia que estava nas últimas.
-Pai, eu voltei para casa. Me desculpe por tudo, sei que cometi um erro e me arrependo.
-Minha filha, por que você fez isso com seu pai?
-Me perdoe pai! Vi que estava errada e que meu lugar é ao lado de Artur.
Tudo aquilo que Olga acabara de falar era mentira, ela só queria ver seu pai melhor e em troca disso resolveu sacrificar o nosso amor.
Os dias passavam e Olga estava triste. Seu pai havia melhorado. Artur desistiu do casamento e voltou para a capital. Mesmo assim, o Coronel Frederico não permitia meu namoro com a filha dele, pois eu era um simples capataz.
Olga estava decida não contrariar mais seu pai, pois estava com medo que adoecesse novamente. Só que a tristeza que ela sentia estava a corroendo por dentro. Ela entrou em depressão, não comia, não andava.
O Coronel estava vendo tudo àquilo de perto e estava com medo do que poderia acontecer. Ele resolveu fazer uma coisa.
Ele sabia onde eu estava. Naquele dia, eu vi um carro se aproximando do casebre e logo vi que era o Coronel. Fiquei com medo, mas não fugi, resolvi enfrenta-lo.
-Calma meu rapaz, pode baixar a guarda. Não vou fazer nada. Vim aqui falar contigo. O que vou te dizer agora é muito difícil pra mim, mas vi que não tem outra opção.
-Diga Coronel!
-Minha filha está muito doente e sei que é por sua causa.
-Minha causa não! Você que não permitiu o nosso namoro.
-Eu sei meu rapaz. Eu percebi que o amor de vocês é maior que qualquer coisa ou pessoa. Então, resolvi deixar que vocês namorem, mas tem uma condição.
-Qual?
-Você terá que fazê-la muito feliz, se não te prometo que da próxima vez te mato.
-Se é só essa a condição, pode deixar comigo, ela será muito feliz.
Nem acreditava no que acabara de ouvir. Peguei minhas poucas coisas e fui pra fazenda com o Coronel.
Chegando lá, fui de encontro a Olga. Ela estava deitada, muito pálida. Peguei na sua mão e contei tudo o que seu pai tinha me dito. Ela, no auge de sua fraqueza, esboçou somente um sorriso.
Meses depois, Olga estava melhor e linda com sempre foi. Estávamos às vésperas do nosso tão sonhado casamento. Eu agora não era mais o capataz da fazenda. Eu havia me tornado o administrador da fazenda, braço direito do Coronel Frederico.
Finalmente chegou o tão sonhado dia, eu estava muito feliz. Logo cedo, comecei a ver tudo que faltava pro casamento. Naquele dia eu não vi a Olga até a hora do casamento, ela estava se preparando.
Ao entardecer, eu cheguei à igreja. Já estavam todos lá. Eu estava no altar esperando por Olga, estava nervoso, ansioso. Andava de um canto pro outro. Es que finalmente começou a tocar a marcha nupcial.
Olga estava entrando na igreja, ela estava linda, parecia um anjo vindo do céu. Ela estava de braços dados com seu pai.
Agora sim me sentia realizado na vida. O mundo poderia acabar ali que eu iria morrer feliz. O padre nos abençoou e finalmente nos tornamos marido e mulher.
Eu a peguei e a coloquei dentro do carro que havíamos alugado pra nos levar até ao local que passaríamos a nossa lua de mel. O local era nossa casa que foi construída ao lado daquela mesma árvore onde nós nos beijamos pela primeira vez. Agora o resto da história fica pra depois, pois Olga está prestes a ter o nosso primeiro filho e preciso levá-la para o hospital.

Fim!

2 Comments

  1. Oi Renato, este conto transmite ânimo a quem espera pela realização de um amor que considera impossível.
    Ele dá muitas voltas, como as que o mundo dá.
    Você coloca açucar no fel com ele.
    Vá em frente! com certeza haverão corações antingidos.
    Abraços!

  2. Que linda História de Amor…
    Parece até um Sonho.


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